A GRANDE CAVALARIÇA

published at 28/07/2017

A grande cavalariça está dividida em vários espaços: estábulos destinados aos cavalos de atrelagem, boxes para os puros-sangues, cozinha e selaria de trabalho, selaria de gala, vestíbulo, cocheiras, picadeiro coberto, estábulos de póneis.

A cavalariça dos meios-sangues recebe os cavalos de atrelagem destinados a puxar as viaturas hipomóveis. Esta é composta por estábulos nos quais os animais são presos quando não estão atrelados. Este edifício mantém intacto desde 1877 a sua organização interior: estábulos, estruturas com o nome dos cavalos, bancos, manjedouras e bebedouros em ferro fundido encimados por uma placa em ferro fundido esmaltado policromado, bolas e ganchos em latão, candeeiros em arco. Os painéis de madeira são guarnecidos com tapetes de fibras para que os cavalos não magoem os flancos. Na parede da cavalariça, numa estrutura de madeira esculpida, um painel de ordens indica, para cada hora do dia, as tarefas a cumprir pelos palafreneiros e lacaios.

A seguir à cavalariça dos cavalos de atrelagem encontram-se as boxes dos cavalos de sela. Cada puro-sangue, cavalo destinado a ser montado, mais nervoso do que um cavalo de atrelagem, possui a sua própria box, sem aí estar preso. As paredes, originalmente guarnecidas com lambrins em madeira envernizada foram, desde os anos 1950, despojadas do seu revestimento. As portas baixas estavam cobertas com tapetes de proteção para evitar que os cavalos magoassem os joelhos. Uma estreita galeria abobadada que é impossível adivinhar a partir do exterior, construída por detrás das boxes, permite que os funcionários se desloquem mais facilmente e sem obstáculos da cozinha à cavalariça dos cavalos de atrelagem.

O grande pátio faz igualmente a ligação entre a cozinha e a selaria de trabalho. Esta grande sala, com lambrins em três das suas paredes, é, ao mesmo tempo, a selaria de trabalho onde, no inverno, os homens efetuavam a manutenção dos arreios de atrelagem após cada utilização (desmontagem, lavagem, secagem, lubrificação, nova montagem) e a cozinha onde se preparava a “mash” dos cavalos (alimentação à base de cereais cozidos). Dois candeeiros em arco, originalmente sob o vestíbulo, semelhantes aos da ópera Garnier e da Câmara Municipal de Paris, revelam o modernismo das cavalariças que beneficiaram da iluminação elétrica desde 1898.

Contígua à selaria de trabalho encontra-se a selaria de gala. Esta divisão intacta desde o fim do século XIX, bem como a considerável coleção de arreios de atrelagem, artigos de aço e chicotes que alberga, é considerada atualmente uma das mais belas selarias de França.  Todos os objetos de correaria e de selaria provêm das maiores casas em atividade no século XIX: Hermès, Clément, Adler, Adam... A apresentação dos arreios, quer sejam desportivos com peitorais e guizos, de gala com colar inglês com ornamentos em bronze dourado, de póneis, simples ou duplos, suspensos à volta da selaria, corresponde a uma forma de disposição tradicional destes objetos volumosos e complexos.

Devido à sua posição central e às suas grandes dimensões, o vestíbulo constitui o centro da cavalariça. O seu largo teto oferece, em todas as estações, um abrigo que facilita o trabalho dos homens. Aí lavam-se as viaturas após cada utilização, dá-se banho aos cavalos, o ferrador instala-se aí para os ferrar, é aí que se prende os cavalos para os enfeitar com os seus arreios retirados da selaria contígua. O relógio marca o desenrolar de todas as atividades (tratar dos cavalos, escová-los, selá-los, vestir a libré) e o painel de ordens indica a cada funcionário (criado, condutor de cavalos, cocheiro, palafreneiro,...) as diretivas a cumprir durante todo o dia.

Em seguida, duas cocheiras hipomóveis. A primeira guarda quatro viaturas que pertenceram à família de Broglie, a segunda cocheira encerra uma berlinda de gala.

Ocupando um ângulo do pátio, um pequeno picadeiro coberto com um diâmetro de cerca de doze metros, permite trabalhar os cavalos à corda sob o olhar do príncipe Henri-Amédée de Broglie e dos seus convidados, instalados confortavelmente na galeria circular que se encontra por cima da pista. Com o intuito de edificar este picadeiro, o arquiteto Paul-Ernest Sanson reutilizou a subestrutura do forno de cerâmica ou vidro da fábrica criada por Jacques-Donatien Le Ray. Apenas os muros por cima da galeria de circulação fazem parte deste forno; o nível do solo foi rebaixado mais tarde. A parte baixa das paredes é obra de Sanson, tal como a cobertura e a armação do telhado em forma de torreta.

Em seguida, a cavalariça reservada aos póneis. Inclui quatro boxes que ocupam os cantos da cavalariça e três estábulos organizados entre as duas boxes da parede norte. Conservada no seu estado original com os seus lambrins, divisórias, manjedouras e grades, esta cavalariça oferece o mesmo luxo que a cavalariça dos cavalos de atrelagem. A única exceção é o facto de as boxes serem fechadas individualmente por portas dotadas de um sistema de segurança que torna impossível a abertura por parte dos animais e impede que se magoem contra os manípulos.