O PARQUE HISTÓRICO

published at 28/07/2017

O parque de Chaumont é uma criação bastante recente, tendo em conta a história do próprio castelo. Até aos anos 1880, o local possuía um aspeto totalmente diferente.

No local do parque atual encontrava-se, frente ao castelo, a aldeia constituída por dois lugares (aldeias de Places e de Frédillet), contando 113 casas, a igreja e o presbitério situados perto da torre Saint Nicolas e o cemitério por detrás dos lugares.

Alguns relvados ornamentados por montes de flores e entrecortados por caminhos constituem o único cenário real que o castelo possui.

Todavia, alguns elementos são anteriores à criação do parque paisagístico. Do século XVIII permanece uma parte da alameda de honra plantada com castanheiros no sudeste do parque, bem como um caminho de tílias no flanco este do castelo. Além disso, foram plantados alguns cedros pelo conde de Aramon, proprietário do castelo entre 1830 e 1847.

Henri Duchêne, arquiteto paisagista, opera uma transformação radical do local em benefício de um vasto parque de lazer no estilo paisagístico também chamado “à inglesa”. Os trabalhos decorrem de 1884 a 1888 e custam cerca de 560.000 francos de ouro da época. A composição imaginada pelo arquiteto paisagista oferece, deste modo, ao castelo, o cenário e a exploração agrícola de que até então estava privado.

Para criar o parque, a partir de 1884 o príncipe Henri-Amédée de Broglie adquire e manda demolir todas as construções situadas à frente do castelo. Em seguida, financia a reconstrução de uma nova aldeia na margem do Loire. A igreja atual e o seu presbitério foram concebidos na mesma altura nos planos do arquiteto Paul-Ernest Sanson. O cemitério foi deslocado.

Um sistema de caminhos curvilíneos permite um passeio contínuo passando por várias perspetivas. O caminho dito circular percorre o perímetro do parque e permite apreciar a extensão do jardim. Os caminhos secundários unem-se a esse num jogo sábio de tangentes, elipses e volutas que alongam o passeio ou conduzem a elementos específicos. Inserem-se oito perspetivas, das quais cinco convergem na direção do castelo. As espécies perenes asseguram, no inverno, a sustentabilidade destes traços e dos contornos dos bosques. As diversas essências foram escolhidas para criar um quadro harmonioso de cores, especialmente no outono. A folhagem escura dos cedros plantados à volta do castelo produz um belo contraste com a pedra clara. As árvores mais notáveis foram plantadas isoladamente. Além disso, a composição de Duchêne explora os recursos que o local oferece. Integra, através de perspetivas inteligentes, o Loire e as vastas terras agrícolas e arborizadas que constituem o domínio dos Broglie.

O parque inclui, além disso, diversos arranjos:

O reservatório também chamado “castelo de água” foi construído desde a aquisição do domínio e antes da chegada do arquiteto paisagista Henri Duchêne. Posteriormente, o arquiteto tirou partido do reservatório e englobou-o num bosque de árvores e arbustos. Neste período, o castelo de água tinha como principal objetivo fornecer água ao primeiro quintal situado nas proximidades, a partir de bombas instaladas numa casa da vila, retirando a água diretamente do Loire. Estando as cubas metálicas fora de moda nos nossos dias, a reserva de água sempre bombeada no Loire foi enterrada após 1987 perto do castelo de água num espaço tratado numa clareira que não existia originalmente.

A ponte pitoresca ou “rústica” que abrange a ravina separando o parque de lazer da parte dita do Goualoup é a maior construção do parque. No primeiro projeto do parque, Henri Duchêne pretendia uma ponte de aspeto bastante diferente: ponte suspensa de uma única peça que abrangia a estrada e a ravina. Por fim, o casal principesco recusa este primeiro projeto e encomenda ao arquiteto paisagista a ponte visível atualmente.

Como adorava animais e desejava que estes (cães, macacos, gatos, burros) fossem sepultados perto do seu castelo, a princesa de Broglie manda criar o cemitério de cães. O local escolhido foi o antigo local do cemitério da aldeia, instalado nesta zona desde 1788. Desde a aquisição do domínio em 1875 que o casal de Broglie negocia a transferência do cemitério municipal. O novo cemitério é preparado de 1881 a 1883 e entra em serviço a partir desta data, ainda antes do início dos trabalhos do parque. A exumação dos corpos ocorre em 1893 e é, portanto, a partir deste ano que a princesa de Broglie manda instalar neste local o cemitério dos cães.
​Este cemitério outrora fechado possuía cerca de vinte sepulturas com um vaso com flores à frente de cada uma (dezoito estão identificadas atualmente). Divididas em três filas, em diferentes zonas do bosque, estas sepulturas conservam, na sua maioria, os epitáfios gravados pela princesa de Broglie, compostos por verdadeiros poemas em memória dos seus animais preferidos.