AS CAVALARIÇAS

published at 28/07/2017

As Cavalariças foram edificadas em 1877 por Paul-Ernest Sanson, arquiteto do Príncipe e da Princesa de Broglie. Eram consideradas as mais luxuosas e modernas da Europa no final do Século XIX. A selaria integra sumptuosos arneses realizados especialmente pela casa Hermès.

O cavalo ocupa, durante a segunda metade do século XIX, um lugar preponderante. Mesmo que o caminho de ferro o substitua progressivamente nas médias e longas deslocações, nessa época o animal ainda é a forma mais importante de deslocamento para os particulares. Também pode ser considerado uma marca de riqueza, sendo o equipamento hipomóvel há muito tempo um sinal indispensável de conforto. É igualmente necessário para a organização de caçadas a cavalo e o nobre senhor afixa as suas armas pintadas na sua viatura e mostra a magnificência das librés dos seus lacaios.

A este título, as cavalariças de Chaumont-sur-Loire são exemplares e representativas daquilo que a aristocracia abastada mandou construir, no fim do século XIX, para proteger os seus cavalos.

Em 1877, o casal principesco confia ao arquiteto de renome, Paul-Ernest Sanson, a criação de cavalariças que devem ser as mais luxuosas e as mais modernas da Europa.
O gestor da obra opta por um conjunto em tijolo e pedra (o tijolo é utilizado frequentemente no fim do século XIX na construção dos palácios equinos), mas reutiliza, todavia, um elemento escultural antigo, visível nas fachadas do castelo (friso esculpido onde se alterna o duplo “C” de Carlos II de Chaumont e a montanha em chamas).

As cavalariças de Chaumont organizam-se à volta de dois pátios de tamanhos diferentes e que podem comunicar entre si; o maior era para uso dos castelãos e o outro reservado aos seus convidados. O pátio grande está à medida dos inúmeros cavalos e viaturas hipomóveis que aí circulam, bem como dos funcionários que aí trabalham. As cavalariças funcionam de dia e de noite com um grande número de empregados. Cerca de vinte pessoas (rapaz de estrebaria, cocheiro, lacaio, palafreneiro, condutor de cavalos, criado) dedicam-se às diferentes tarefas sob a orientação do primeiro cocheiro, chefe das cavalariças.

As divisões em forma de mansarda dos empregados relacionados com as cavalariças situam-se no primeiro andar dos diversos edifícios (não acessíveis aos visitantes).

Paul-Ernest Sanson pretendia um desenvolvimento ainda mais considerável dos edifícios das cavalariças, mas sem que estes pudessem ser realizados. A experiência, aqui adquirida, permite a este arquiteto conceber, alguns anos depois, as cavalariças modelo do marquês de Breteuil em 1892.