OS APOSENTOS HISTORICOS

published at 28/07/2017

O QUARTO DE RUGGIERI

O quarto de Ruggieri é assim chamado devido ao sinal presente no pano da chaminé: a letra grega Delta —inicial de Diana— e três círculos ou três luas cheias. Esta escultura foi inicialmente interpretada como um sinal cabalístico de Ruggieri, um dos astrólogos da rainha Catarina de Médicis, mas também poderá ser uma evocação de Diana de Poitiers pois, na mitologia romana, Diana é a deusa lunar. Uma cama de dossel suspensa do final do século XVII, um presumível retrato de Cosimo Ruggieri, do século XVII, uma cadeira de braços e um contador de abrir com uma gaveta e tampa com fechadura datado do primeiro quarto do século XVII completam a decoração deste quarto. Esta sala apresenta uma chaminé policromada do século XVI, que lembra que antigamente todas as chaminés eram pintadas, e paredes feitas de tijolo e pedra, segundo um processo corrente no início do século XVI.

O QUARTO DE CATARINA DE MÉDICIS

O quarto de Catarina de Médicis -antigo quarto de aparato- apresenta a mais antiga tapeçaria conservada nas coleções do castelo, tecida em Tournai no fim do século XV (História de Perseu e de Pégaso). Pode-se também observar o retrato em pé de Catarina de Médicis (cópia realizada no século XIX), tapeçaria da manufatura da Flandres do final do século XVI (História de Davi e Abigail), e ainda uma magnífica cama do século XIX, de estilo Henrique II, muito ricamente talhada com figuras, mascarões, cornucópias, grinaldas de louro e frutos. A cabeça do encosto é ornamentada com sereias em semi-relevo alteada por uma amazona e um guerreiro que constituem os montantes do dossel. A decoração desta sala também é constituída por um púlpito do século XVI que apresenta sob uma arcada uma garça engolindo uma enguia e dois unicórnios enfrentados segurando um escudo, bem como um armário situado junto da cama cuja fachada datada do século XV evoca uma iconografia característica desse período: no registo superior, as três virtudes teologais -fé, esperança, caridade- e as quatro estações; no registo inferior, os cinco sentidos.

A SALA DO CONSELHO

A sala do conselho possui um singular pavimento de Majólica do século XVII, adquirido pela família de Broglie, e proveniente do palácio Collutio de Palermo, na Sicília. Uma mesa extensível à italiana do século XVI, uma placa de chaminé dos finais do século XVII proveniente do castelo de Ménars, bem como um quadro em que figura Diana de Poitiers (século XIX) enriquecem a decoração deste aposento.

LA TENTURE DES PLANÈTES ET DES JOURS

Obra-prima da arte da tecelagem do final do Século XVI, La Tenture des Planètes et des Jours é novamente apresentada no Castelo de Chaumont-sur-Loire, na sala do Conselho, após vários anos em depósito e um ano de restauração nas oficinas da manufatura real de Wit, na Bélgica.

Adquirida em 1889 pelo príncipe e pela princesa Henri-Amédée de Broglie (últimos proprietários privados do Castelo de Chaumont-sur-Loire), esta tapeçaria é composta por oito tapetes, cujo apenas existem dois exemplares no mundo —a de Chaumont-sur-Loire e a do Museu Nacional de Munique na Baviera—, foi tecido no final do Século XVI (1570) nas oficinas do proprietário Martin Reymbouts, em Bruxelas. As tapeçarias foram concebidas para decorar as paredes da grande sala da ala Este (Sala do Conselho) no primeiro andar do Castelo.

As tapeçarias foram guardadas em 1938 pelo Estado durante a aquisição do monumento, na hora da partida da Princesa de Broglie, e foram mantidas no local. Em 1938, durante o primeiro inventário do Castelo, o conjunto foi classificado como Monumento Histórico. O tema principal desta célebre Tenture des Planètes et des Jours é a astrologia. Todas as divindades da antiguidade romana correspondentes a um dia da semana e a um planeta estão sentadas numa carruagem que simboliza o deslocamento dos astros. A carruagem possui um ou mais signos do zodíaco nas suas rodas e é puxada por um animal fantástico ou real relacionado com a divindade.

No registo inferior apresentam-se atividades relacionadas com a influência da divindade ou das cenas mitológicas ou bíblicas, em paisagens com árvores. Margens largas, compostas por grotesco e ornamentos, contêm cenas históricas, associadas à composição central, enquadram este quadro. É possível identificar nas tapeçarias Diana, Saturno, Apolo, Vénus, Marte, um fragmento de uma outra tapeçaria proveniente da oficina de Martin Reymbouts Le Mariage, assim como Mercúrio e Júpiter.

A SALA DAS GUARDAS

A sala das guardas, situada no castelete de entrada, possui uma posição estratégica, porque está colocada acima do pórtico de entrada. Este aposento apresenta um raro cofre-forte dos finais do século XVI, que pesa mais de 250 quilos, uma tapeçaria dos finais do século XVII que evoca um episódio da vida de Cimon (general ateniense), uma panóplia de armas otomanas (pano da chaminé) do século XIX oferecida à família de Broglie pelo marajá de Kapurthala, bem como três quadros (A Subida ao calvário do século XVII, A Extrema unção e A Ressurreição de estilo neoprimitivo do século XIX).

O QUARTO DITO DO REI

O quarto dito do Rei, situado na torre oeste do castelete de entrada, apresenta nas madeiras e no teto uma decoração policromada de estilo historicista, em voga na época romântica, e datada dos anos 1830-1840. Neste quarto estão regularmente expostos documentos e fotografias que ilustram a vida do castelo no tempo dos Broglie.

Esta sala também apresenta setenta medalhões e oito moldes realizados no século XVIII pelo artista italiano Giovanni Battista Nini. Pintou o retrato de muitas figuras célebres do seu tempo: Luís XV, Luís XVI, Maria Antonieta, Benjamin Franklin, como também de todos os membros da família Le Ray ou de personagens mais modestas (médico, notário, capataz). Esta coleção é hoje reconhecida como a mais importante e a de maior prestígio do mundo.

A ESCADARIA DE HONRA

A escadaria de honra, em caracol, traduz a assimilação progressiva do estilo italiano pelos artistas franceses cerca de 1500: os motivos góticos trilobados cedem lugar a folhagens ao estilo Renascença e arabescos italianizantes cobrem o tronco dos colunelos. As janelas estão ornadas com vitrais com motivos heráldicos (armas) que representam as diferentes famílias proprietárias da terra de Chaumont.
Esta escadaria permite aceder aos diferentes espaços do castelo dedicados à arte contemporânea não mobilados e recentemente abertos, entre os quais o antigo quarto da princesa de Broglie, hoje galeria de arte.